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BEM
Importância da conversa sobre saúde mental de pessoas LGBTQIA+
A comunidade LGBTQIA+ vem conquistando seus direitos, apesar disso, ser uma pessoa LGBTQIA+ ainda é sinônimo de enfrentamento a violências verbais e físicas. A solidão, violência e a exclusão no ambiente social, profissional e familiar fazem com que a procura e acesso aos cuidados da saúde mental sejam baixos e por esses motivos a saúde mental torna-se a maior preocupação.
A heterossexualidade compulsória, uma teoria criada nos anos 80 pela estadunidense Adrienne Rich, que causa estranhamento, pois sabemos que a orientação sexual não é influenciável, as pessoas nascem LGBTQIA+. Porém, essa teoria vai além disso, não é apenas a ideia de atração sexual, mas sim pela construção social que o sexo representa, portanto é a ideia que questiona a heterossexualidade ser normal e natural, pois desde crianças somos apresentados a regras sociais e ao sentimento que ser hétero é o correto, invisibilizando outras sexualidades. De acordo com a psicóloga Nathália Carvalho, 25, essa marginalização das pessoas LGBTQIA+ causam instabilidade emocional,sensação da falta de pertencimento, desequilíbrio comportamental, sensação de desrespeito, transtornos mentais, violência psicológica, discriminação, homofobia, exclusão social, dentre outros.
O processo da descoberta da sexualidade deveria ser simples, mas para os LGBTQIA+ é dolorosa e diante do impacto do preconceito na saúde mental é necessário que essas pessoas tenham ajuda profissional psicológica para entenderem a naturalidade, falarem abertamente sobre sua sexualidade e alcançarem autonomia. Nathália Carvalho, 25, psicóloga, , afirma que: “ansiedade e depressão são os diagnósticos mais comuns na comunidade LGBTQIA+, infelizmente, devido ao contexto político-social atual, que incita a violência, intolerância e o desamor o número de casos com os respectivos diagnósticos vem aumentando.”
Os cursos de psicologia formam um profissional capacitado para lidar com questões mentais como ansiedade e depressão, mas segundo a American Psyhcological Association, os psicólogos precisam ter uma formação específica em saúde mental LGBTQIA+, pois assim o tratamento é mais assertivo, proporcionando acolhimento de qualidade, reforçando redes de apoio e amenizando o sofrimento.
O incentivo a busca da terapia é importante para todas as pessoas de uma forma geral, mas há barreiras econômicas e socioculturais, principalmente para a comunidade LGBTQIA+. Porém, há psicólogos capacitados para atender o público LGBTQIA+, como os profissionais do “Acolhe LGBT+” e “Rainbow psicologia” que são plataformas onlines que conectam psicólogos a comunidade LGBTQIA+ à saúde e bem estar mental. Segundo Mariana Barbosa, 23, psicóloga, há também: [..] terapia e serviços de saúde mental são oferecidos gratuitamente pelo SUS através dos CAPS. Além disso, há também os serviços-escola das faculdades de psicologia, onde estudantes de graduação realizam atendimentos psicoterapêuticos de forma gratuita ou por um valor bem acessível à população.

Saúde física da população LGBTQIA+
A saúde de qualidade e igualdade é uma barreira enfrentada por todos, porém as dificuldades dos LGBTQIA+ vão além, a comunidade tem seus direitos básicos agredidos, enfrenta estigmas e constrangimentos para que possam ser atendidas, impactando psicologicamente e na vida social dessas pessoas tornando-os vulneráveis. As políticas públicas para os LGBTQIA+ na saúde são necessárias para que o acesso ao serviço de saúde seja garantido e protocolos de atendimentos específicos sejam criados, pois muitas vezes não é feito de maneira adequada devido ao preconceito dos profissionais da saúde.
O Ministério da Saúde, em 2011, instituiu a Política Nacional de Saúde Integral da População LGBTQIA+ reconhecendo a identidade sexual e de gênero como problemas sociais da saúde devido à discriminação e tem como objetivo propor diretrizes para acabar com as desigualdades na saúde. Porém, a realidade é que a comunidade LGBT é um grupo social vulnerável e que mais está exposto a violência. Segundo o Sistema Único de Saúde (SUS), em 2008, 55% da população LGBTQIA+ sofreram de agressões verbais, 15% agressões físicas, 6% violência sexual e 3% do golpe “boa-noite Cinderela”.
A psicóloga Nathália Carvalho, 25, afirma que para a Política Nacional de Saúde Integral alcançar o sucesso é necessário: “ Campanhas de maior visibilidade tanto através das instituições de Saúde Pública quanto visibilidade midiática, para se alcançar um engajamento social. E em relação ao atendimento clínico, que seja prezado o respeito, a empatia e sobretudo a inclusão dos quesitos de identidade de gênero e de orientação sexual nos formulários e/ou prontuários junto da produção de mais pesquisas científicas abordando diretrizes da Política Nacional de Saúde Integral LGBT.”
Destaca-se que ser homossexual era tratado como doença mental e apenas em 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) interviu para que a homossexualidade passasse a ser tratada como a heterossexualidade e o Conselho Nacional de Psicologia foi proibido de prestar atendimento ao público LGBTQIA+ para reverter à homossexualidade. Mesmo com as mudanças tardias e com as políticas públicas ainda há barreiras na saúde e nas condições sociais como: alimentação, moradia, educação, trabalho e lazer, pois segundo a Lei Orgânica de Saúde nº 8.080/90 a saúde engloba todos esses quesitos.
As sexualidades não heteronormativas são um problema de saúde pública, já que o estigma está relacionado ao adoecimento, fazendo com que o público LGBTQIA+ fique à margem dos cuidados da saúde. É primordial que haja ações específicas voltadas à assistência da comunidade para que os LGBTQ sejam inseridos e deem continuidade aos tratamentos e que também haja transformações no atendimento dos profissionais da saúde, como o respeito e esclarecimento ao uso do nome social, a identidade de gênero e orientação sexual.



Fotografo: Lonrã Kreimer
Modelo: Verônica Fonte