História
A bandeira arco-íris como símbolo LGBTQIA+
Até 1978, o movimento gay não possuía um símbolo unificante, porém, com o passar dos anos, ele se ampliou e tornou-se hoje o movimento LGBTQIA+.
Entre os anos 1969 e 1977, o símbolo mais comum utilizado era o triângulo rosa, que possui um sentido sombrio de uma memória ligada à utilização do símbolo nos campos de concentração nazistas costurado à roupa dos que estavam presos por serem homossexuais, da mesma forma que era utilizada a estrela de Davi para a identificação dos prisioneiros judeus.
Era preciso encontrar um novo símbolo, que significasse a luta e a dor dos que foram perseguidos ao longo dos séculos, mas que também trouxesse vida, alegria, felicidade e amor para a causa LGBTQIA+.
É neste momento que entram em cena dois nomes fundamentais para a confecção desse símbolo que, hoje, é reconhecido universalmente. O político e ativista norte-americano Harvey Milk e o designer e também ativista Gilbert Baker, responsável pela idealização e produção da primeira bandeira arco-íris.
Criada pelo designer Gilbert Baker, por encomenda de Harvey Milk, a bandeira arco-íris teve sua estreia na Parada Gay de 1978, em São Francisco, nos Estados Unidos. A sua primeira versão possuía oito faixas: rosa para representar o sexo, vermelho para a vida, laranja para cura, amarelo para a luz do sol, verder para a natureza, turquesa para a arte, indigo para serenidade e violeta para o espírito.
Trinta voluntários foram os responsáveis por ajudar Baker a pintar a mão as duas primeiras bandeiras que, logo em seguida, foram postas para secar no último andar de um centro da comunidade gay em São Francisco.
A bandeira também foi inspirada na Bandeira da Raça Humana, que era principalmente utilizada por hippies no fim da década de 1960. Esta contava com cinco faixas nas cores vermelha, branca, marrom, amarelo e preto. Essa inspiração também foi uma maneira de homenagear o poeta Allen Ginsberg, símbolo hippie na vanguarda da causa gay.
Na Parada de 1978, Harvey Milk caminhou sobre a bandeira e discursou diante da mesma. Poucos meses após este evento, ele foi assassinado a tiros por Dan White, que assim como Milk era um supervisor da cidade, porém, White seguia uma ideologia conservadora.
Dan White também assassinou o prefeito da cidade, George Moscone. Este caso é considerado um dos veredictos mais absurdos já proferidos pela justiça norte-americana, White foi condenado por homicídio culposo, ou seja, quando não há a intenção de matar, e cumpriu pena de cinco anos de prisão.
A morte de Milk e o julgamento de White ajudaram a tornar a bandeira de arco-íris um símbolo popular para a causa LGBTQIA+.
Com o passar dos anos, a bandeira veio a ser alterada. Inicialmente por dificuldades de produção, a bandeira se tornou a que conhecemos hoje em dia, com seis faixas nas cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e roxo. Baker nunca cobrou direitos autorais pelo uso da bandeira que criou, pois seu propósito era unificar as pessoas em prol de causa e não lucrar com sua criação.
Em 2003, para a comemoração dos 25 anos da bandeira, a Parada Gay de Key West, na Flórida, EUA, convidou Baker para criar a maior bandeira arco-íris da história, com 2 km de extensão. Nessa versão foram utilizadas as oito cores originais.
Em março de 2017, em forma de protesto à eleição de Donald Trump, Baker criou mais uma versão da bandeira, com nove cores, adicionando uma faixa extra na cor lavanda para representar a diversidade.
Gilbert Baker faleceu em 2017, deixando seu nome marcado na história do movimento LGBTQIA+ como o ativista e designer por trás da criação da bandeira de arco-íris, que é reconhecida mundialmente como a bandeira da comunidade LGBTQIA+
Com o passar dos anos foram surgindo novas bandeiras arco-íris, a fim de representar a diversidade presente no movimento. Uma delas é aquela utilizada pela primeira vez na Parada do Orgulho LGBT do estado da Filadélfia de 2017, que inclui antes da faixa vermelha uma faixa marrom e outra preta, criada por Michael Page e lançada como uma ideia de representar membros negros e pardos da comunidade LGBTQIA+, que se senstiam marginalizadas ou ignoradas nas proprias Paradas.
Em 2018, na Parada Gay de São Paulo, que é considerada a maior Parada LGBTQIA+ do mundo, além das oito faixas originais, uma faixa branca, com a finalidade de representar todas as cores humanas, a diversidade e a paz foi incluída.
Existem diversas outras versões de bandeiras que representam a comunidade LGBTQIA+ e bandeiras voltadas a grupos específicos dentro da comunidade, como a Bandeira do Orgulho Bisexual, a Bandeira do orgulho Pansexual, Bandeira do Orgulho Lesbico, Bandeira do Orgulho Trans e muitas outras. Cada letra da sigla representa um grupo de pessoas que se refere à orientação sexual e/ou identidade de gênero. Além daquilo que é pretendido pelo movimento como um todo, esses coletivos têm reivindicações próprias. As bandeiras e os símbolos são duas formas de buscar visibilidade e demonstrar orgulho dentro e fora da comunidade.







Fotografo: Lonrã Kreimer
Modelos: Beatriz Fontes , Bruna Yvete, João Pedro, Joyce Apolinario, Katarina Lima, Marcus Guimarães




